O relógio das assessorias de cobrança: quanto tempo da entrega ao primeiro toque, ao acordo e ao caixa
Carteira entregue a uma assessoria é carteira que começa a esfriar. O telefone que atendia ontem pode estar desligado na semana que vem, o cliente que ia pagar decide pagar outra dívida primeiro, e cada dia sem contato é um dia a menos de vantagem. Mesmo assim, a maioria dos credores mede as assessorias só pelo caixa do mês, e nunca pelo tempo que elas levam para começar a trabalhar.
O relógio da assessoria é a medida desse tempo: quanto cada assessoria leva da entrega ao primeiro toque, ao contato com a pessoa certa, ao primeiro acordo e ao primeiro pagamento novo. No revo360, ele é um quadro do painel Performance de Assessorias, na versão do credor, e não entra na Nota BSC nem no Índice de mérito. Ele explica o placar, não o substitui.
A escada de marcos

O marco zero é a entrega: o instante em que o título chegou à assessoria. A partir dele, quatro degraus:
- Primeiro toque: o primeiro acionamento que a assessoria informou.
- Primeiro CPC: o primeiro contato com a pessoa certa, pela ocorrência que o credor marca como CPC. Sem essa marca, o acionamento conta como toque, não como CPC.
- Primeiro acordo: de quem o fez.
- Primeiro pagamento novo: de quem tinha o título na véspera, sem o colchão de acordos anteriores.
Os dois primeiros degraus dependem do que a assessoria informa. Os dois últimos vêm do sistema do credor. Por isso, quando uma assessoria não informa acionamento, só os dois primeiros degraus ficam sem número, e a tela escreve “sem fonte”, nunca zero.

Da entrega ao caixa: o ponto é o dia em que metade das entregas que chegaram ao marco já tinha chegado; o traço vai até 75%. Base de demonstração, dados fictícios.
As regras que tornam o relógio justo
Medir tempo parece simples, e é fácil medir errado. O relógio do revo360 segue regras explícitas:
- O toque só conta quando quem o informou tinha o título naquele instante. Acionamento em título de outra assessoria não é mérito de ninguém.
- “Metade da carteira tocada em” não é a média de quem foi tocado. A entrega nunca tocada conta como não alcançada, e é isso que impede a assessoria que só toca os títulos fáceis de parecer rápida.
- Horas corridas, dias de calendário, cada um com o seu nome. Na arrancada, o relógio conta horas corridas desde a entrega, com noite, fim de semana e feriado; até 48 horas, em horas, e acima disso, em dias. Na escada de marcos, dias de calendário, com o dia da entrega como dia 0. As duas contas não se misturam: 168 horas não é o 7º dia.
- A frase só afirma diferença quando ela existe. O painel só diz que uma assessoria é mais lenta quando ela leva 1,5 vez o tempo da mais rápida e pelo menos 24 horas a mais, com 60 entregas ou mais e a coorte completa. Fora disso, mostra o intervalo.
- A saída da custódia é tratada pelo motivo. Saída por decisão do credor deixa a conta na saída; saída provocada pela assessoria fica na conta, e o título recolhido sem toque conta como falha.
Quer ver o relógio da sua rede de assessorias? Solicite um diagnóstico operacional.
O que o relógio mostra, e o que ele não mostra
Na base de demonstração do revo360, com dados fictícios, a escada de marcos conta uma história que se repete em muita operação real. No primeiro toque, metade das entregas foi tocada em 2 dias na assessoria mais rápida e em 8 dias na mais lenta. No primeiro CPC, as quatro empatam: metade chegou à pessoa certa em 11 dias. No primeiro pagamento novo, a maior distância entre elas é de 1 dia.
A lição está escrita no próprio painel: o relógio não mede o caixa. Não dá para concluir que a mais rápida recupera mais. O tempo é só de quem chegou ao marco, e por isso a tela mostra o alcance ao lado: quantas entregas chegaram em 30 dias. Tempo curto com alcance pequeno quer dizer que poucas chegaram, e rápido.
Para saber quanto voltou em caixa, o mesmo painel tem a curva de liquidação por idade da entrega.

Quanto do saldo entregue voltou em pagamento novo, dia a dia desde a entrega, e o tempo até o primeiro pagamento novo. Base de demonstração, dados fictícios.
A carteira parada tem nome
O número mais útil do relógio, no dia a dia, é o mais simples: sem toque, em custódia. São os títulos que a assessoria ainda tem e nunca acionou desde a entrega. O número abre a lista dos títulos, com o saldo deles na entrega. É a conversa mais objetiva que o credor pode ter com uma assessoria: estes são os títulos que estão com você e que ninguém tocou.
O destino da carteira completa a leitura: o que foi liquidado, o que segue em custódia e o que saiu, e por qual motivo.

Para onde foi a carteira entregue: liquidada, ainda em custódia ou saída, com o motivo. A saída sem recuperação aparece como “sem evidência”, e não como zero. Base de demonstração, dados fictícios.
O relógio, narrado
O vídeo abaixo percorre o quadro inteiro: a régua do relógio, a curva do primeiro toque, a escada de marcos, o mapa da arrancada, o processo e os negociadores.
Relógio da assessoria e processo, capítulo 5 da série Performance de Assessorias. Base de demonstração, dados fictícios.
Como usar o relógio na gestão
- Na reunião mensal: abra pela escada de marcos, e não pelo ranking de caixa. A assessoria que atrasa no primeiro toque e empata no CPC tem um problema de arrancada, não de negociação.
- No contrato: combine o tempo até o primeiro toque como meta de processo, ao lado das metas financeiras. O painel tem o indicador de primeiro acionamento em 7 dias, com a mesma conta do relógio.
- Na distribuição: antes de dar mais carteira, olhe a lista de títulos sem toque em custódia.
- Na comparação: use o relógio ao lado do placar. A medição completa, com Nota BSC e Índice de mérito, está em Gestão de assessorias de cobrança simplificada.